O México vive sob o terror do narcotráfico
O México vive dias de chumbo e sangue. Os narcotraficantes, infiltrados na polícia e na política, responderam à pressão do Exército e dos federais com uma guerra sem quartel. Ninguém está a salvo
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O cabeleireiro estava atendendo uma cliente regular. Outra mulher esperava sua vez folheando uma revista. A cliente se queixava com amargura da onda de violência inusitada da qual o México padece, sobretudo nos Estados do norte. Entre eles, a cidade de Sinaloa, berço dos narcotraficantes mais famosos; um lugar onde a metade das mortes acontece por tiros e onde os jovens assassinos mortos em combate descansam em mausoléus de mármore adornados com seus retratos.Há murais de até cinco metros nos quais é possível admirá-los empunhando um chifre de cabrito (o famoso rifle AK-47) ou posando em frente ao avião Cessna que pilotavam, carregado de drogas. A mulher se queixava no salão do mesmo que todo mundo se queixa no México. “Os traficantes já não matam apenas entre si”. Em sua corrida ensandecida pelo controle dos lugares, em seus enfrentamentos quase diários com o Exército, já não importa que morram inocentes. O caso mais doloroso é o de Creel, uma cidade turística do Estado de Chihuahua.
Um bebê e 12 adultos foram crivados com balas capazes de esburacar blindados. As pessoas recolheram 170 cápsulas do chão. Havia muito sangue. A polícia demorou muito tempo para chegar. Estranhamente, não havia nenhum policial nas proximidades. O crime das vítimas foi cruzar a rua principal da cidade junto com dois jovens assassinos, no mesmo momento em que um cartel rival estava atrás deles. Cento e setenta disparos.




