Bope testa avião espião para reconhecimento de favelas

Rio - O comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), tenente-coronel Alberto Pinheiro Neto, chama dois de seus melhores agentes e manda que eles se escondam na Favela do Dendê, na Ilha do Governador, Zona Norte. “Localiza esses dois lá no morro”, diz ele para um jovem com laptop e uma antena acoplada a uma base. Os dois agentes se escondem e em poucos minutos estão na tela do laptop, ocultos entre os barracos, mas localizáveis.
Surpreso, Pinheiro chama um de seus melhores atiradores de elite. “Tenta derrubar aquele aviãozinho ali”. O especialista olha de longe, analisa os movimentos, calcula a distância — quase 1.000 metros de altura — pesa os fatores mínimo esforço e máximo rendimento e decreta: “Melhor não tentar”.
O episódio de bastidores é contado por um dos funcionários da Santos Lab, única empresa do Brasil a fabricar os aviões não-tripuláveis Jabiru, Carcará e Azimute (este último, um alvo móvel para teste de mísseis). O artefato, testado há duas semanas pelo Bope, promete mudar o formato de operações em favelas no Rio, assim que o Bope puder adquirí-lo. O comandante da unidade já admitiu o interesse.
O Carcará custa R$ 180 mil e é leve, pesa cerca de dois quilos. Já o Jabiru é de maior porte e não recomendável para áreas urbanas.




