POW! KRAAK! BANG! QUADRINHOS NÃO SÃO MAIS PRA CRIANÇA
A PÁGINA 17 DO MAJOR ESTÁ NO AR, e com ela mais ação, com tiros e porrada, muita interação física entre corpos suados e retesados pela tensão! “um plus a mais”: outro take da bundinha do Major, devidamente protegida por sua roupa especial! estamos quase no fim da primeira missão de 24 páginas!
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vai lá, eu espero.
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voltou? então, se você prestou um pouco de atenção se ligou que duas minas levaram na fuça. eu não acho que um autor deva nunca se explicar [nesse caso ele ou sua platéia é burra] ou se justificar [nesse caso ele ou sua platéia são cagões]. mas quero aproveitar o ensejo pra discutir um lance, sem frescura: muito me incomoda em HQs recentes ver mulher apanhando ou abusada de alguma forma. mesmo assim botei isso na minha.
por quê? já explico, primeiro alguns exemplos que de certa forma dão certa vergonha de ser leitor de HQ, pela falta de motivo ou Machismo puro e simples: Vicky Vale tomando porrada de bobeira no GRANDES ASTROS BATMAN [o Frank Miller curte, no SIN CITY tá cheio, por mais que seja caricatura de noir]; a pobre Sue Dibny - exposa do Homem-Elástico Ralph Dibny - estuprada e morta cruelmente em CRISE DE IDENTIDADE; as meninas de HERÓIS DE ALUGUEL, amarradas e indefesas enquanto tentáculos fálicos despejam sêmem em seus rostos; etc etc etc.
é uma questão complicada, de vários lados. HQ sempre foi um meio eminentemente masculino, machista em algumas situações. não é difícil ver em certas cenas - como histórias de super-heróis - a mulher sendo menosprezada, quando não violentada mesmo em prol de um enredo mais [melo]dramático.
assim como vários outros elementos que não descem bem pra qualquer tipo de pessoa [sexo, ultraviolência, drogas, religião], tudo depende do contexto em que a situação é apresentada e que tipo de função ela tem na história. o que ele tá te dizendo: que aquilo é legal e deve ser feito por todos? que é horrendo e deve ser evitado por todos? de novo, depende do contexto. cada autor vai te passar uma mensagem e nem sempre de forma clara, literal: deus e o diabo tão nas entrelinhas e nas metáforas.
não quero soar paternalista na minha colocação porque sei que há mulheres que não se incomodam em ver personagens femininos se ferrando às vezes, algumas poucas até gostam de ver isso nas artes em geral. são todas “amélias” ou podem se permitir um fetiche de submissão de vez em quando? [como no caso do Hentai da capa do HdA.] se elas podem se permitir gostar disso é porque ao menos parece haver uma liberdade de escolha por parte delas, e isso as faz mulheres independentes, maduras, poderosas, donas de si.
só que infelizmente sabemos que essas são poucas… a maioria das mulheres AINDA em 2007 são educadas para obedecer ao homem cegamente, serem punidas se fizerem besteira, nunca poderem aproveitar nada, nunca terem prazer algum.
não é um comportamento “politicamente correto” que vai proteger as mulheres como uma espécie de “sistema de cotas do Feminismo” - isso seria paternalista, como falei acima, apenas passar a mão na cabeça da mulherada sem ajudar a questão a avançar. por isso que tal coisa deve ser discutida - uma vez que os limites do aceitável, pro bem e pro mal, são elásticos e alargados com o tempo… [insira metáfora escatológica aqui.]
por isso fiz questão do Major aparecer batendo nas soldados do morro femininas, ainda mais com as onomatopéias sugeridas por nossa colorista/letrista Michelle. esse trecho da HQ é baseado na triste situação real das meninas que só vêm redenção pra miséria e sua rotina sem esperança na Vida Loka do tráfico [como bandidas ou mulher de bandido].
e eu quis que a coisa ficasse grotesca ao misturar uma certa ironia cômica à pancadaria. como uma maneira de fazer uma caricatura da situação real que conhecemos e provocar esse estranhamento que leva à discussão. pelo menos tentei.
porque sei que muitos gostam de uma certa violência na ficção - eu adoro, senão nunca faria este tipo de gibi pra começar, já que este tipo aventura requer pelo menos alguma porrada - mas entendo que a ultraviolência [num contexto específico] causa repugnância. não em todos, assim como em particular a violência contra mulher; e isso é ruim porque nos torna coniventes com um abuso.
pronto, lá fui eu me explicar. sou burro mesmo…


by Hector Lima, Writer; Irapuan Luiz, Artist, Colorist; Michelle Fiorucci, Letterer, Colorist